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quinta-feira, 28 de junho de 2007


Contemplating an Invisible Mirror by Salvador Dali

ENCANTAMENTO
(Esteves)

Era de uma beleza diferente
A mais perfeita que já vi
Com seu jeito único
Conquistou-me enfim.

Era infinita sua bela pele
Um morenar desigual
Como o vento a soprar
As vezes bom, outras mal.

No fundo de minh`alma
Estava sempre a brilhar
Pena que se foi
Ao lugar onde eu jamais saberia.

A única certeza foi à dor
Que deixaste em meu peito
Dor pela qual me fez trilhar
Caminhos nunca percorridos.

Amar-te iria se assim soubesses
Adorar-te iria se assim quisesse
Compreender-te iria para sempre
De ti só me restou uma vil poeira.

Hoje, vago pela estrada
Que o destino cruel me levou
Agora é só dor no meu coração
Onde um dia você aprisionou.


enviado por Violet Witch - as 13:40:16. Affections[0] ou
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sábado, 16 de junho de 2007


Azul

FAZER AMOR É PISAR NA ETERNIDADE

Fazer amor é coisa séria demais...
Não basta um corpo e outro corpo,
Misturados num desejo insosso,
Desses que dão feito fome trivial,
Nascida da gula descuidada,
Aplacada sem zelo,
Sem composturas,
Sem respeito,
Atendendo exclusivamente a voracidade do apetite.

Fazer amor é percorrer as trilhas da alma,
Uma alma tateando outra alma,
Desvendando véus,
Descobrindo profundezas,
Penetrando nos escondidos,
Sem pressa,
Com delicadeza...
Porque alma tem tessitura de cristal,
Deve ser tocada nas levezas,
Apalpada com amaciamentos...
Até que o corpo descubra cada uma das suas funções.

Quando a descoberta acontece é que o ato de amor começa.
As mãos deslizam sobre as curvas,
Como se tocando nuvens,
A boca vai acordando e retirando gostos,
Provando os sabores,
Bebendo a seiva que jorra das nascentes escorrendo em dons,
É o côncavo e o convexo em amorosa conjunção.

Fazer amor é Ressurreição!!!
É nascer de novo:
No abraço que aperta sem sufocamentos,
No beijo que cala a sede gritante,
Na escalada dos degraus celestiais que levam ao gozo.

Vale chorar,
vale gemer...
Vale gritar,
Porque aí já se chegou ao paraíso e qualquer som há de sair melódico e afinado,
Seja grave,
Agudo,
Pianinho...
Há de ser sempre o acorde faltante quando amantes iniciam o milagre do encontro.

Corpos se ajustaram,
Almas matizaram...

Fez-se o Êxtase!

É o instante da Paz...

É a escritura da serenidade!
E os amantes em assunção pisam eternidades!!!


Texto de um Frei do Colégio Santo Agostinho

Essa é a verdadeira expressão do amor,
a forma que deveríamos nos sentir ao fazer amor!!!

Vamos então nos avaliar,
rever nossos relacionamentos e nossos parceiros.
Porque tem, realmente, que valer a pena se doar.



enviado por Violet Witch - as 18:30:02. Affections[3] ou
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terça-feira, 15 de maio de 2007



SENTIMENTOS
(Aldir Bilac)

Trago em mim poemas represados
que só rompem diante de ti.
Digo meus sentimentos,
confesso a maior paixão.
Sem medo algum exponho
o lado mais terno
de meu coração.

Trago em mim palavras azuis
que enfeitam teu céu
todos os dias.
Viver para mim
é cuidar dos jardins
por onde caminhas.

Quero que tenhas contigo
o tesouro do meu amor.
É pouco, é tolo, é frágil,
mas é tudo o que sou.
Sou todo sentimentos:
só penso em ti!


enviado por Violet Witch - as 17:25:53. Affections[2] ou
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007




Amor maduro
(Artur da Távola)

O amor maduro não é menor em intensidade. Ele é apenas silencioso. Não
é menor em extensão. É mais definido, colorido e poetizado. Não carece de
demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento. Não precisa de
presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.

O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo. Mas vive dos
problemas da felicidade. Problemas da felicidade são formas trabalhosas de
construir o bem e o prazer. Problemas da infelicidade não interessam ao
amor
maduro.

Na felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca e
do cheiro, está a compreensão antecipada, a adivinhação, o presente de
valor
interior, a emoção vivida em conjunto, os discursos silenciosos da
percepção, o prazer de conviver, o equilibrio de carne e de espírito.

O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a
parte salva de cada pessoa. Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado
para depois. Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos
antigos, jardins abandonados, cheios de sementes.

Ele não pede... tem. Não reivindica... consegue. Não percebe...
recebe. Não exige... dá. Não pergunta... adivinha. Existe para fazer feliz.

O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco. Não precisa e nem quer nada do muito. Está
relacionado com a vida e sua incompletude, por isso é pleno em cada
ninharia
por ele transformada em paraíso.

É feito de compreensão, música e mistério. É a forma sublime de ser
adulto e a forma adulta de ser sublime e criança. É o sol de outono: nítido
mas doce..., luminoso, sem ofuscar..., suave mas definido..., discreto mas
certo.

Um Sol que aquece até queimar.



enviado por Violet Witch - as 11:46:36. Affections[2] ou
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terça-feira, 28 de novembro de 2006




Perfume
(Nazarethe Fonseca)

Seu perfume ficou na sala,
Mas você partiu.
Fico no trinco da porta.
No telefone que usou distraidamente,

Na caneta com a qual batucou impaciente.
No sofá, nas almofadas,
Onde cansado, adormeceu, enquanto me esperava.
Está sobre meu rosto, pois o acariciou longamente.
Misturou-se ao meu, e da nossa química ficou mais doce.

Espalhou-se pelos lençóis da cama como se fosse chuva de verão.
No travesseiro onde dormiu por uma, duas horas.
Em meu corpo que tocou faminto, saudoso.

E enquanto banho, lamento perdê-lo.
Ressinto-me deste desapego,
Enquanto a água cai rápida e mansa,
Eu lembro debaixo do chuveiro,
Penso em nós dois.
No que fizemos,
No prazer que nos demos.
Tudo parece distante agora que se foi.
Que seu perfume abandonou meu corpo.

Quero que a água me lave, me renove.
Deixei-me ficar a sós,
Seu perfume me confunde,
Faz-me desejar você, que já se foi.

Seu toque.
Ainda sinto você.
Está bem aqui em meu peito,
Na marca do beijo invisível sobre o seio.

Em meus dedos que te tocaram.
Em minhas mãos que te afagaram.
O seu perfume se apagou.
E quando pequei o telefone e levei ao ouvi,
Senti seu cheiro no fone, beijei o aparelho.
E desistir da ligação, pois seu cheiro voltou...
E me deu a falsa ilusão de sua presença.
Vou dormir, é quase manhã.
O telefone toca.
È você.
E seu perfume.



enviado por Violet Witch - as 14:18:31. Affections[2] ou
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